Viagens – Amazônia – Navegando pelos Rios Negro e Jaú

Conhecer a Amazônia foi uma experiência tão rica e tão sensorial que fica difícil de transmitir em palavras. No seio da selva nos deparamos com nosso tamanho minúsculo diante da imensidão da natureza, o que demonstra como somos pequenos e frágeis e que, paradoxalmente, nos transmite uma forte sensação de sermos parte de algo maior. A energia da selva é algo único, e que deveria ser sentida e vivida por todos que tiverem a oportunidade.

Manaus

No voo para Manaus marquei uma poltrona na janela. Na verdade, sempre gosto de viajar com vista, mas a chegada em Manaus é especial, nos brinda com uma visão incrível do encontro das águas, com a beleza que é ver dois rios de colorações diferentes andando lado a lado por quilômetros até se misturar.

Antes de me aventurar pela selva propriamente dita passamos dois dias em Manaus. Ficamos em um bom hotel na Ponta Negra, área que tem uma orla bem legal, embora seja distante do centro.

A cidade tem uma história peculiar, com o auge econômico remontando ao ciclo da borracha, momento em que a riqueza vinda das seringueiras se concretizou em edificações imponentes. No centro histórico é fundamental visitar o Teatro Amazonas e sua linda cúpula com as cores do Brasil. A visita guiada nos ajudou a compreender o quão desafiador foi construir uma ópera tão majestosa no meio da selva.

Perto do teatro há alguns outros museus. Achamos bem bacana a Casa de Eduardo Ribeiro, governador de 1890 a 1891 e de 1892 a 1896, que nos demonstra como vivia a sociedade do Amazonas no final do século XIX e início do XX.

Outro destaque de Manaus é a culinária, rica em peixes e temperos pouco conhecidos no resto do Brasil. Uma explosão de sabores! A famosa Costela de Tambaqui é uma delícia, assim como vale a pena provar o Caldo de Tucupi, e sentir a estranha sensação de ter boca anestesiada. Dentre os restaurantes que fomos na cidade, gostamos bastante do Banzeiro, que tem um ótimo bolinho de peixe de entrada e cerveja gelada.

Selva

Após dois dias em Manaus fomos para o município de Novo Airão (porta de entrada das Anavilhanas – aproximadamente 200 km de estrada), de onde saiu nosso barco. Descobrimos a agência Katerre, que tem uma concepção de turismo sustentável bem bacana, em uma revista de companhia aérea. Eles operam barcos de porte pequeno (o que viajamos tinha oito cabines – simples mas confortáveis – com ar condicionado e banheiro com água quente) e saem da cidade em diferentes roteiros pela Amazônia.

Nosso roteiro foi pelo Parque Nacional do Jaú, com cinco dias de duração. O guia foi o Noé, que além de ser um dos donos da agência é artista plástico, morou por muitos anos na Suíça e voltou para Amazônia devido a seu amor pela selva. Certamente sua presença enriqueceu nossa viagem, sobretudo pelas histórias do folclore amazônico.

A navegação no rio é bastante tranquila, sem o balanço típico do mar, e com poucos minutos de viagem já não vemos mais resquícios de civilização. Na beira do rio, os primeiros animais que surgiram desavergonhados foram as Ariranhas, que lá vivem em grandes quantidades.

Todos os dias foram preenchidos por diversas atividades, como a primeira, e surpreendente, trilha, na qual fomos a pedras que continham desenhos típicos de povos pré colombianos andinos, indicando que provavelmente no passado houve uma expansão de civilizações americanas mais avançadas para a bacia amazônica ou ao menos um intercâmbio comercial com os povos locais.

No mesmo dia visitamos o Projeto Pé-de-pincha que trabalha pela preservação de tartarugas da amazônia. Tivemos sorte de presenciar o  momento do nascimento desses animais ameaçados.

No calor da selva, o Rio Negro nos chamava para um mergulho, sempre com emoção, pois o rio não tem visibilidade nenhuma e é impossível saber se alguma fera está nadando perto de você (provavelmente está).

Em outro dia, no final da tarde, tivemos o privilégio de visitar e conversar com ribeirinhos, cujo modo de vida é totalmente diferente do nosso. Eles nos explicaram sobre as construções elevadas, as quais têm como objetivo evitar ser surpreendidos por animais selvagens, bem como a ausência de uma das paredes, que tem como função refrescar o ambiente. Nosso guia aproveitou para combinar de fazermos uma trilha no dia seguinte com a orientação de um morador local.

Na manhã seguinte, ao entrarmos na mata fui conversando com o José, que embora não tenha a nossa educação formal se demonstrou doutor de Amazônia, tendo um profundo conhecimento sobre a fauna e flora da selva. Íamos andando pela mata e a cada árvore que ele apontava me falava sobre suas funções, uma tinha o tronco bom para canoas, outra tinha a folha cujo chá fazia passar a febre e por aí foi.

Conhecer e conversar com o povo da selva faz com que repensemos nossas concepções sobre o que é ter conhecimento, pois na mata de nada vale  graduação, MBA, mestrado, doutorado.

Dentre todas as atividades a mais marcante foi sair em uma voadeira de madrugada para focalizar jacarés, a adrenalina foi tanta que fez com que eu me sentisse como protagonista de uma série do Discovery Channel.

Foram cinco dias de paz, extremamente prazerosos, com todas as refeições e bebidas inclusas, longe de qualquer antena de celular e repleto de atividades, que me fizeram ainda mais ligado com a natureza e consciente sobre a importância da preservação.


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