Viagens – Malta: Experiência da Lívia

Em primeiro lugar, quero agradecer ao João por me deixar contar um pouquinho da minha experiência em Malta. Eu gosto de escrever, mas gostar e ter dom são coisas bem diferentes, portanto, me perdoem por qualquer gafe.

Não posso dizer que conheço muito do mundo (até o momento, pelo menos), mas faço questão de começar esse texto com uma simples constatação: Malta é uma pequena joia perdida no mediterrâneo e merece muito, muito mesmo estar nos seus planos um dia.

Foto da Spinola Bay

Momento História

Só para apresentar, Malta é um país do sul da Europa, cujo território ocupa as Ilhas Maltesas, um arquipélago situado no Mar Mediterrâneo, 93 km ao sul da ilha da Sicília (Itália) e 288 km a nordeste da Tunísia (África), 1826 km a leste de Gibraltar e 1510 quilômetros a oeste de Alexandria.

O país abrange uma área terrestre de 316 km² (nem dá pra ver no mapa mundi), sendo um dos menores da Europa, que, porém possui a maior densidade demográfica do continente. Apenas as três maiores ilhas (Malta, Gozo e Comino) são habitadas. Sua capital é Valeta e a maior cidade é Birkirkara. O Maltês é a língua nacional e o inglês é língua co-oficial.

Ao longo da história, a localização de Malta deu-lhe grande importância estratégica. Para você ter uma ideia, houve uma sucessão de potências que governaram a ilha, incluindo fenícios, romanos, árabes, normandos, aragoneses, a Espanha dos Habsburgos, os Cavaleiros de São João, franceses e britânicos. Malta declarou sua independência do Reino Unido em 1964 e tornou-se uma República em 1974. O país é parte do Acordo de Schengen desde 2007 e membro da Zona do Euro desde 2008.

A história de Malta é datada de 5200 A.C, e apesar de saber que eu veria muita história e uma mistura insana de culturas, eu nem podia imaginar o que estava por vir.

Ida para Malta

Tudo começou quando decidi fazer um intercâmbio de inglês de curta duração. Depois de muita pesquisa e de algumas dicas de viajantes mais experientes, acabei optando pela ilhota. Pra dizer a verdade eu nem a conhecia, fui saber dela por uma amiga, e ao pesquisar mais sobre o país, me encantei.

Entre todos os destinos que cotei, Irlanda, EUA, África do Sul e Canadá, Malta foi o que mais me agradou por juntar muita história, belas praias e paisagens de tirar o fôlego, além, é claro, da proximidade com outros países da Europa.

Intercâmbio fechado, lá fui eu de mala, cuia e sozinha, em minha primeira viagem para o velho continente. Resolvi que ficaria duas semanas no país, de 20/05 a 03/06/17.

Chegar no arquipélago pode custar um pouco caro e ser bem cansativo, visto que não existem voos diretos do Brasil para lá e suas conexões costumam ser bem insanas. Eu, por estar a fim de economizar ao máximo e por não querer passar horas a fio em um saguão de aeroporto, resolvi pegar um voo direto para Roma na ida, ir para Malta dias depois e na volta sair de Malta rumo a Madrid e depois pegar um voo direto para São Paulo. Foi a melhor decisão, porque mesmo pagando os trechos internos, Roma-Malta-Madrid, eu paguei menos que meus colegas que compraram passagens “diretas” para a ilha. E o que foi melhor! Só tive que ficar 3 horas esperando uma conexão de Londres para Roma, o que não foi cansativo.

Pois bem, saí de Roma em um voo da Alitalia, com duração de 1h15, no dia 20 de junho, uma bela e ensolarada tarde de sábado. Eu já havia fechado o transfer com a escola então estava bem tranquila quanto a essa logística.

O engraçado de Malta, é que a ilha é tão pequena, que suas cidades parecem bairros para quem vem de fora. Você fala que mora em San Ġwann e estuda em St Julians, como o meu caso, e não estamos falando de bairros e sim de cidades. E é exatamente assim que eles se referem “cidades”, mas entendem que para nós, turistas, é esquisito e não ligam se chamamos de “bairros”.

País católico

Malta é um país extremamente católico, são nada mais, nada menos que 366 igrejas em todo seu território, então é fácil você cruzar com muitas pelo caminho. Igrejas grandes, luxuosas, simples, capelas, enfim, tem para todos os gostos.

Hospedagem

Como eu ia estudar por duas semanas, resolvi ficar em casa de família e tentar absorver o máximo do idioma, mas em Malta você encontra muitas residências estudantis (se for estudar), apartamentos para dividir, hotéis e hostels por preços atraentes bem próximos do “fervo” do país, como St Julians e Sliema. Como eu disse aí em cima, fiquei em San Gwann, que fica uns 30 minutos a pé da escola, numa área bem residencial com mercado perto, mas longe da vida noturna da cidade, e apesar de estarmos falando de Europa e Malta, não dava para perambular pelas ruas voltando das baladas de madrugada, e transporte na ilha é um negócio bem complicado. Vou falar mais a respeito em seguida.

Transporte

Como eu disse, morei a 30 minutos do centro divertido e movimentado do país, e apesar de ser super tranquilo caminhar de manhã e a tarde, andar por ruas desertas a noite não era uma boa opção pra mim. Os ônibus em Malta funcionam com horários bem restritos e são bem demorados. Os que eu podia pegar para o centro e voltar pra casa, eram dois (222 e 120 =D) que demoravam até 40 minutos pra passar e só paravam se estivessem vazios. Sim! Os motoristas da ilha são um poço de educação (SQN). Ah! As passagens custam 1,50 euros, em baixa temporada e no verão 2,00 euros, com o direito de pegar quantos ônibus quiser num período de 2h00, mas tem outras opções, como cartões de recarga que podem ser mais vantajosos, se você for permanecer na ilha muitas semanas.

Como estava dizendo, para ir à escola de manhã e a tarde, eu ia e voltava caminhando, mas para sair depois das 21h30 era impossível, pois o meu último ônibus passava às 21h22, isso quando não atrasava. Para voltar de madrugada, eu lancei mão do Ecabs. É tipo um Uber só que local, porém eu desembolsava 7 euros de St Julians até San Gwann. Esse Ecabs e os táxis funcionam com preço fixo, numa tabela que determina os valores conforme a “cidade” para onde você vai. Estranho, caro, mas eficiente!

 

A placa com a relação dos ônibus perto de casa.

Eu conversei com meu “host”, e ele disse que existe um “acordo” do governo com os taxistas, para que os turistas usem mais esse serviço, por isso os ônibus são um problemão lá. No mais, o transporte até que funciona, andei para todos os cantos da ilha (de verdade) de ônibus.

Para andar em Malta eu indico ter sempre a mão o celular com GPS, pois os nomes das ruas são bem estranhos (a minha era Triq Galina) e apesar de ser um país pequeno, todas as atrações turísticas mais bacanas ficam longe de Valeta e de St Julians. Se for andar de ônibus, se programe bem, some a possível e provável demora + o motorista não parar para você + 1h de deslocamento e por aí vai. Faça tudo sem pressa, porque os ônibus são todos com ar condicionado, com aviso sonoro da próxima parada, e se você der sorte de conseguir sentar, vai curtir uma bela viagem, independente de pra onde olhar.

O que comer

O prato mais típico de Malta é o coelho refogado, ou coelho de qualquer forma. Reza a lenda, que antigamente havia muitos coelhos na ilha, e por conta disso, era mais fácil e barato caçar coelhos para comer. Hoje os coelhos já não existem em abundância e por isso não são mais caçados. Para comer qualquer coisa com carne de coelho, você pode ir a inúmeros restaurantes do país. Sinceramente não provei dessa “iguaria”, mas se você quiser comer algo diferente, dizem que vale a pena.

Por conta da influência italiana, em Malta você vai ver muita, mas muita massa, além das pizzas, é claro. Lá eles não têm muito o costume de comer carne vermelha, você não vê um “bifão”, mas eu supria a minha necessidade de carne, indo até o Hugo’s Burguer, uma lanchonete com os melhores hambúrgueres, batatas e molhos que eu já comi, por 9 euros e com refri grande. E vale dizer que esse “Hugo’s” é uma rede imensa com diversos tipos de restaurantes espalhados por St Julians. Também dá pra comer com 1 euro uma pizza quadrada bem gostosa, na lanchonete Champ, que fica na parada de ônibus, chamada Ross. Fica a dica!

É em St Julians também, perto do Hugo’s Terrace e ao lado da St George’s Bay, o famoso “Boteco Brasileiro”, que tem porções de boteco, caipirinha, coxinhas, arroz, feijão e até feijoada. Tudo isso por preços bem mais ou menos, mas que se você estiver com saudade de uma comidinha brasileira, super indico.

 

Espetinho de medalhões de frango, com arroz, salada de batata e farofa, do Boteco Brasileiro.

Se quiser tomar o melhor gelato do universo, pegue um ônibus até Valeta e na rua principal (não tem como errar), ao lado de uma loja da Vodafone, você verá uma pequena loja charmosa, geralmente com fila na rua, que tem os sorvetes mais saborosos que são servidos em formato de rosa. Só vendo a foto pra ter uma ideia.

 

Melhor sorvete do mundo!

Outra dica é não deixar de comer no restaurante SurfSide, de frente pro mar, com as piscinas naturais a sua disposição. O prato pode chegar até 10 euros, mas vem bastante comida e vale muito a pena.

Em Mdina, você pode comer no Fontanella, um restaurante charmoso, no ponto mais alto da cidade, com uma vista para toda a ilha de Malta. Lá você encontra o mais famoso bolo de chocolate do país, por 5 euros. Você também pode almoçar ou jantar pratos deliciosos que variam de 8 a 20 euros.

 

Vista que se tem do Fontanella em Mdina.

Segurança

Todo mundo acha que a Europa é o lugar mais seguro do mundo, e de uma coisa eu tenho certeza, é mais seguro que nosso país umas duas vezes indo e voltando, porém não está imune a furtos e coisas do tipo. Prova disso, é que meu colega de casa foi assaltado voltando da balada, poucos dias antes de eu chegar. E já nos meus últimos dias, ouvi a história de uma moça que foi abordada por um homem que roubou seu celular. Então o melhor mesmo é não dar sorte para o azar!

Passeios e Vida Noturna

Chegou a hora de falar do principal. Deixei a cereja do bolo por último, porque se tem uma coisa que a ilhota tem, é lugar pra visitar.

Seria necessário posts dedicados a cada atração, mas posso lhe indicar de antemão que as visitas obrigatória são:
Azure Window
Blue Grotto
Comino
Mdina
Gozo
Popeye Village
Valletta
– e todas as praias do país. TODAS!

Eu não tive oportunidade de visitar todas as praias ou atrações, mas fui em muitas e não dá pra escolher uma mais bonita. Todos os dias eu mudava de praia preferida. Você fica hipnotizado com o tom magnifico da água, com a sua transparência e com todo o conjunto. E olha que Malta só tem uma praia com faixa de areia, as demais são todas rochosas, mas ainda assim, lindas. As águas geralmente são geladas e calmas, e cheias de águas-vivas. Eu não tive o azar de encontrar com nenhuma, mas muitos colegas voltaram de Malta com lembrancinhas na pele.

Mellieħa bay, a maior praia da ilha.

Não dá pra falar das demais atrações sem me estender por mais muitas linhas, por isso vou deixar fotos que falem por si só.
Se você curte história, Mdina, a antiga capital de Malta, no centro da ilha, é o lugar perfeito para você. Com uma atmosfera mágica, ao passar pelos portões da cidade medieval, você se sente voltado nos séculos. Outro lugar bacana para quem curte saber mais sobre a história da humanidade, são os templos megalíticos, as construções mais antigas da história do homem. Eles foram construídos em 3600 A.C e eram templos erguidos com rochas enormes. Em Malta você pode visitar dois e em Gozo, você pode visitar mais um.

Portão de entrada de Mdina.

 

Maquete dos templos megalíticos.

 

E falando em Gozo, você chega até essa ilha de ferry. Tem muita coisa para ver em Gozo, muita mesmo, passear por suas ruas estreitas é maravilhoso, a cada esquina o visual se faz uma pintura. Agora se você deseja visitar a Azure Window, tem que atravessá-la de ponta a ponta. Se você não sabe, a Azure Window era uma formação rochosa que se assemelhava a uma imensa janela, dando vista para o mar, ela desabou no início do ano, mas ainda assim, o local encanta com sua beleza incomparável.  Foi aí também, que foram gravadas as cenas do casamento da Daenerys com o Khal Drogo, de Games of Thrones. Por sinal, muitas cenas de GOT, Guerra Mundial Z, Assassin’s Creed, O Conde de Monte Cristo e muitos outros filmes e séries foram gravados em Malta, e dá para entender as razões.

Local onde ficava a Azure Window.
Campos de Gozo.

Falar da vida noturna em Malta é assunto para os fortes. Existe um local chamado Paceville, uma rua/escadaria, onde você tem dois lados de bares, casas noturnas, restaurantes e muita, muita música.

Nessa região é certa a presença de jovens estudantes procurando os frees drinks e aproveitando o fato de não pagar para entrar nas baladas. Nas casas noturnas as festas são tão ecléticas, que tem noites de música brasileira quase todos os dias em lugares diferentes. Do axé retrô, ao funk mais pesado, passando pelo sertanejo e muita música latina.

Claro que existem lugares que fogem desse âmbito e você consegue encontrar pessoas mais velhas, um pop/rock, r&b e eletrônico. Nesses lugares, geralmente você vai pagar para entrar e não existem free drinks, mas dependendo da sua idade, vai preferir. Eu confesso que não curti muitos as baladas de Paceville por ter muita molecada, as baladas são feitas para turistas e principalmente estudantes, então a tiazinha aqui preferia ir para esses outros lugares ou ir comer.

Dá pra todo mundo se divertir em Malta. Você vai achar belos clubs como o MedAsia e o Cafe del Mar, com lindas vistas pro mar e muita música eletrônica, ou bares mais requintados, botecos com pagode ao vivo, enfim, de tudo. Não fui até Valleta a noite, mas me disseram que sua vida noturna é recheada de ótimos pubs e bares, cujos moradores e um público mais velho buscam como rota de fuga de Paceville e seus jovens turistas. Acredito que valha a pena conhecer de um tudo na noite de Malta, porque opções não faltam.

A escadaria de Paceville e suas opções de bares e baladas.

Bom, não sei se meu super resumo convenceu você, particularmente eu adoraria voltar pra Malta o mais rápido possível e apresentar a ilha maravilhosa para o maior número de pessoas, mas ao mesmo tempo minha vontade é pegar aquele montinho de terra e colocar dentro de um potinho para preservá-la linda como só ela é. E se você quiser ver mais fotos ou maiores esclarecimentos sobre Malta, fique a vontade, vou deixar meus contatos aqui e será um prazer falar com você.

Obs: Para ir para Malta, você é obrigado a ter a vacina contra febre amarela e carteira internacional de vacinação. 😉


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