Viagens – Roteiro Básico de Roma

Nossa primeira impressão em Roma foi de que após 12:00 de voo ainda não tínhamos saído do Brasil. Era agosto, auge do verão, muito calor! O terminal que chegamos no aeroporto era levemente bagunçado e no caminho para o centro da cidade percorremos estradas esburacadas e rodeadas de mato alto. Enfim, estávamos nos sentindo em casa!

Porém ao passarmos pelos primeiros aquedutos romanos nos arredores da cidade, e em seguida ao avistarmos os inúmeros monumentos históricos, as diferenças ficaram muito claras.

A cidade eterna é um apaixonante museu a céu aberto, com incontáveis relíquias da época em que Roma foi sede do mais poderoso império da antiguidade, assim como outras que demonstram o imenso poder da Igreja Católica medieval. Roma foi por muito tempo, e por motivos diferentes, o centro do mundo.

Além disso, em cada esquina é possível comer uma pizza ou tomar um gelato tão inesquecíveis quanto tudo que vimos.  Quando perguntei para alguns amigos onde poderia comer bem em Roma recebi a seguinte resposta “em qualquer lugar” e constatei que era verdade, quando se trata de massa, pizza ou sorvete… podíamos comer em qualquer birosca.

Esse post contém um relato de dois dias inteiros, porém era verão, amanhecia bem cedo e anoitecia muito tarde (em ambos andamos de 7:00 da manhã até as 21:30 da noite). Para percorrer os mesmos pontos em outras épocas do ano é necessário entre três e quatro dias. Além disso, ao longo da postagem destacarei duas dicas que nos fizeram ganhar MUITO tempo.

1º Dia

Manhã

Chegamos ao nosso hotel, Maison Giulialocalizado no Centro Histórico, próximo ao Campo de Fiori. Na região praticamente não existem opções de hotéis de grandes redes, motivo pelo qual vale pesquisar hotéis independentes. Gostamos da nossa escolha (o único porém é não ter elevador – o que faz alguma diferença para subir com a mala).

A localização da hospedagem foi bem prática (e determinante em nossa experiência). Como temos o hábito de caminhar, fomos à pé para todas as atrações e o mais incrível de tudo é que elas iam simplesmente surgindo em nosso caminho. Nosso roteiro foi ao mesmo tempo planejado e surpreendente.

Campo de Fiori

No Campo de Fiori se realiza um mercado (uma feira) e seu entorno é repleto de bares, restaurantes e cafeterias. Há uma estátua em seu centro em homenagem à Giordano Bruno, frade dominicano italiano condenado à morte pela Santa Inquisição por defender, dentre outras idéias, a tese do universo infinito. Ele é considerado atualmente um dos precursores da astrofísica (a série do NatGeoCosmos – A Space Time Odyssey” dedica parte relevante de um capítulo à história dele).

Piazza Navona

A caminhada seguiu pela Piazza Navona, local onde fica o Palazzo Pamphili, sede da embaixada do Brasil na Itália, bem como a famosa Fontana dei Quattro Fiumi, esculpida por Gian Lorenzo Bernini entre 1648 e 1651, representando os “quatro principais continentes do mundo cortados por seus principais rios: Rio Nilo, na África; Rio Ganges, na Ásia, Rio da Prata, na América e o Rio Danúbio, na Europa” (quem assistiu o filme Anjos e Demônios reconhecerá a Fonte de uma das cenas mais importantes).

A praça ainda tem outras duas outras fontes esculpidas por Giacomo della Porta a Fontana di Nettuno (1574) e a Fontana del Moro (1576), uma em cada extremo.

Panteão

Em seguida, ao final de uma viela. chegamos à Piazza della Rotonda, onde se encontra o Panteão, templo que foi construído há quase dois mil anos para adoração aos Deuses Pagãos. O edifício impressiona por sua enorme cúpula (até hoje a maior do mundo que não foi construída com concreto reforçado) e pela abertura no topo que mede 9 metros de diâmetro.

Desde o início do século VII, a construção abriga a católica Basilica di Sancta Maria ad Martyres, sendo assim, a atual decoração interna da estrutura conta com várias obras-primas do Renascimento, adornando as paredes curvas da rotunda. No local foram ainda sepultados notáveis cristãos (como o famoso artista Rafael).

Caso queira saber mais sobre o Panteão vale ver esse vídeo abaixo do SmArtHistory:

Fontana di Trevi

Um pouco mais adiante nos deparamos com a imponente Fontana di Trevi, a mais famosa (visitada e fotografada) das fontes da capital da Itália. É um monumento lindo, levantado durante a “reconstrução” barroca da cidade, e que mais uma vez nos fez lembrar do cinema, da marcante cena de La Dolce Vita de Fellini. Paramos ali pertinho para tomar nosso primeiro gelato (e tentar espantar um pouco do calor).

Monumento a Vittorio Emanuele II

Nossa caminhada matinal teve como último ponto o monumento à Vittorio Emanuelle II , ou “altar da pátria”, que foi construído com o objetivo de celebrar a unificação da península itálica, homenageando o primeiro Rei da Itália moderna. Trata-se de um edifício enorme, conhecido na capital italiana pejorativamente por “bolo de noiva” ou “máquina de escrever” que celebra um nacionalismo exacerbado e, não por acaso, fica situado junto aos Foros Romanos. De qualquer maneira vale subir em seu terraço para ver a vista panorâmica da cidade.

 

De lá resolvemos caminhar de volta ao hotel. No caminho paramos para a nossa primeira Pizza verdadeiramente romana, na Alice Pizza, que foi em conta e bem gostosa. Achamos curioso que depois que voltamos ao Brasil vimos esse local, que encontramos por acaso, e que só entramos por estarmos com fome, sendo recomendado no programa Anota Aí do Multishow.

Tarde

Fóruns Romanos

Já tinhamos sido cativados por Roma no passeio da manhã, mas era apenas no começo. Eu estava bem ansioso para conhecer as ruínas dos Fóruns Romanos, que se situam no vale entre os montes Palatino e Capitolino, e eram o centro da vida cívica, política e econômica do império (razão pela qual diversos imperadores deixaram suas construções e marcas no local).

Ainda no Brasil eu já tinha pesquisado bastante sobre a Roma na Antiguidade e achei esse vídeo bem bacana do SmArtHistory, que mostra o trabalho de um professor que recriou a cidade em 3D utilizando como marco o ano de 320 depois de cristo (auge da cidade, quando havia entre 1 e 2 milhões de habitantes e um pouco antes da mudança da capital do império para Constantinopla). 

Fórum de Trajano

Apartado dos demais Fóruns pela Via Dei Fori Imperiali, está o Fórum de Trajano, que, dentre as ruínas, conta com duas construções muito bem preservadas e significativas: a Coluna de Trajano, que tem marcada em baixo relevo a história das vitórias militares do Imperador contra os Dácios.

Assim como o Mercado de Trajano, uma espécie “Shopping Center” construído no início do século II depois de cristo.

Ruínas dos demais Fóruns Romanos

Aqui vai uma dica que pode ajudar bastante. Chegamos em Roma no primeiro domingo do mês, quando os ingressos nos museus são grátis. Trata-se de uma boa coincidência quando se quer economizar, contudo, a não cobrança dos ingressos é compensada pelas enormes filas.

Primeira dica da postagem:

Tínhamos lido que na entrada dos fundos do Fórum Romano, na Via Dei Fori Imperiali seria mais fácil conseguir um ticket. Dito e feito! Não pegamos nenhuma fila para retirar nosso ingresso e entrar no Fórum (e como o ingresso é conjunto com o do Coliseu também acessamos rapidamente o ponto turístico mais procurado de todos).

Basilica di Massenzio

É um dos edifícios que mais me chamou atenção no Fórum. Tratava-se de um prédio enorme utilizado inicialmente para o funcionamento de tribunais e depois adotado pelos cristãos para adoração.

Coliseu

Construído no século I depois de Cristo o Anfiteatro Flaviano é a construção mais impressionante que já visitei. É praticamente impossível ingressar no Coliseu e não ficar imaginando como funcionava esse lugar na antiguidade, pensar nos cidadãos romanos que se divertiam com os jogos cruéis, como lutas entre gladiadores, caçadas a animais selvagens, assim como execuções de prisioneiros.

A tecnologia empregada lá é muito interessante, pois abaixo da arena havia uma complexa estruturação dos bastidores com salas, corredores, elevadores e em seu topo havia até uma cobertura retrátil. Além disso, como o Coliseu foi erguido em cima do lago do palácio Imperador Nero, diz-se que era possível encher sua arena de água e até simular batalhas navais.

Eu aluguei o audioguide em Português (de Portugal) e achei que foi bem válido.

Arco de Constantino

Bem em frente ao Coliseu fica o Arco de Constantino, construído para comemorar a vitória de Constantino na Batalha da Ponte Mílvio. Constantino, além de ter mudado a capital do império de Roma para Constantinopla, também foi o imperador que permitiu aos romanos que professassem o cristianismo (antes dele somente se admitia o Paganismo).

O mais interessante de caminhar e apreciar tantas construções e ruínas do Império Romano é nos deparar com as virtudes e defeitos dessa sociedade ancestral que claramente serviu de inspiração para a contemporânea.

Piazza di Spagna

Saindo da Antiguidade, caminhamos aproximadamente meia hora para o outro lado do Centro Histórico e terminamos o dia na Piazza di Spagna. No centro da praça fica a Fontana della Barcaccia, concluída em 1627 por Pietro Bernini e seu filho, Gian Lorenzo Bernini (o mesmo da Fontana dei Quattro Fiumi – lá da Piazza Navona no início do dia).

Em seguida comemos uma pizza e caminhamos (exaustos) de volta para o hotel.

2º Dia

Vaticano

O segundo dia, assim como o primeiro, se iniciou muito cedo, acordamos um pouco antes das 6:00. E aqui vai a segunda dica da postagem! Compramos o café da manhã do Vaticano, com direito a entrada antecipada nos museus. Que vale muito a pena! Nem tanto pela refeição em si (que é bem boa), mas pela oportunidade de ingressar nos Museus do Vaticano e na Capela Sistina antes do público em geral.

O café é caro (pagamos 65 Euros para cada), mas na época do ano que tomamos é servido nos belos jardins dos Museus. Quando terminou, passamos o mais rápido que pudemos pelas galerias para entrarmos na Capela Sistina bem cedo. Tivemos a chance de apreciar com calma e praticamente sozinhos as obras primas que a adornam. Foi uma experiência que não teve preço.

Capela Sistina

Para variar eu estava com o audioguide, porém a beleza da capela é tanta que a cada explicação que ouvia eu ficava um bom tempo apreciando e refletindo. Foram horas contemplando cada detalhe e é inesquecível visitar essa obra prima composta de diversas obras primas de mestres do Renascimento. Isso sem contar na importância do local para religião católica, já que é lá onde os cardeais se reúnem para escolher o Papa.

Não é permitido fotografar lá dentro, por isso compartilho mais esse vídeo do SmArtHistoryque dá uma pequena noção do que vimos lá.

Praça e Basílica de São Pedro 

Em seguida nos encaminhamos para a Basílica de São Pedro e sua praça, que são de uma imponência colossal! Há um forte esquema de segurança para entrar lá e por conta disso as filas são bem grandes. Além disso lembre-se que se trata de um templo religioso, então há restrição de vestimenta.

Embora as construções sejam imponentes, as proporção entre a Basílica e a praça faz com que o local seja acolhedor. As enormes colunas desenhadas por Bernini (o mesmo das Fontes do início e final do dia anterior) formam um abraço ao redor da praça. O Papa abençoa os fiéis na praça às quartas e domingos (calendário aqui)

Na foto o Altar Papal, que também foi feito por Bernini tem 30 metros de altura.

Dentro da basílica há inúmeras obras primas, sendo a mais conhecida Pietá de Michelangelo. É impressionante a realidade da escultura de mármore. Ao apreciar a obra conseguimos sentir o peso de Jesus morto no colo de Maria.

Castelo de Sant’Angelo

Do Vaticano partimos para o Castelo, que foi construído acima do mausoléu do imperador Adriano no século II. Na idade média passou a ser uma fortaleza do Papa e foi em alguns períodos a residência papal. Para falar a verdade achei o local meio assustador. Lá dentro me senti em um cenário de Game of Thrones.

Piazza del Popolo

Do castelo demos uma boa caminhada até a Piazza del Popolo. onde subimos para o parque que irá dar na Galeria Borguese (que infelizmente não visitamos).

Terminamos o dia caminhando pela Via del Corso em direção ao hotel, olhando as lojas e, claro, comendo mais uma Pizza.


Mapa

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